Você financia seu imóvel há anos, paga pontualmente as parcelas — mas sente que os valores cobrados pelo banco não batem com o que foi contratado. Ou então as dificuldades financeiras chegaram e você quer entender se é possível revisar as condições antes de perder o imóvel.
Em determinadas situações, é possível questionar judicialmente o contrato de financiamento habitacional. Mas é preciso entender exatamente quando essa revisão é cabível — e quando não é.
Dificuldade financeira sozinha não é suficiente
O simples fato de estar com dificuldades para pagar não é motivo suficiente para ajuizar uma ação de revisão. É necessário identificar: cláusula abusiva, aplicação incorreta dos índices, cobrança de valores não previstos ou violação ao CDC.
As principais irregularidades nos contratos de financiamento
1. Capitalização de juros
A capitalização de juros — “juros sobre juros” — é vedada pela Súmula 121 do STF. Alguns bancos a aplicam de forma disfarçada nas tabelas de amortização, elevando artificialmente o saldo devedor.
2. Aplicação incorreta do índice de correção
Quando o banco aplica um índice diferente do pactuado ou a taxa de juros ultrapassa o teto do SFH (12% ao ano), o contrato pode ser questionado judicialmente.
3. Tarifas abusivas
- Taxa de abertura de crédito (TAC): reconhecida como abusiva em muitos casos
- Taxa de emissão de boleto: prática considerada abusiva pelos tribunais
- Seguro habitacional imposto pela mesma seguradora do banco (“venda casada”)
Como funciona a alienação fiduciária e o risco de perder o imóvel
A maioria dos financiamentos usa a alienação fiduciária (Lei 9.514/1997). Em caso de inadimplência: o banco notifica em 15 dias → se não houver pagamento, consolida a propriedade → imóvel vai a leilão. Tudo extrajudicial e muito rápido.
A revisão pode suspender a execução?
Em alguns casos sim. Quando há fundamento sólido — cláusula abusiva identificada — é possível requerer tutela de urgência para suspender o processo enquanto o mérito é analisado. Isso não é automático e depende da demonstração clara de irregularidade.
Conclusão
A revisão do contrato é um direito — mas precisa de fundamento concreto. Se você suspeita que seu financiamento tem irregularidades ou está inadimplente e quer entender seus direitos antes de perder o imóvel, busque análise especializada o quanto antes.
Sobre o Autor do Artigo
Alan Reis. Advogado inscrito na OAB/SP nº 347.794, especialista em Direito Imobiliário com mais de 15 anos de experiência. Mestrando em Direito pela Escola Paulista de Direito (EPD). Pós-graduado em Direito Imobiliário pela EPD. Pós-graduando em Direito e Negócios Imobiliários pela Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP). Pós-graduando em Direito Civil pela EPD. Ex-Membro da Comissão Estadual de Direito Notarial e Registral da OAB/SP (2019–2021). Ex-Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/SP — Subseção de Hortolândia (2019–2021). Presidente da Comissão de Direito Civil da OAB/SP — Subseção de Hortolândia.
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